- Publicidade -
HomeBrasíliaNaime expõe racha entre PM e Exército no QG: “Vários familiares ali”

Naime expõe racha entre PM e Exército no QG: “Vários familiares ali”

Date:

Related stories

Corpo de Bombeiros do DF leva bebê para transplante de fígado no Paraná

Paciente com quadro de falência hepática foi transportada, neste...

Governadora inaugura reforma de campos sintéticos em Taguatinga e Samambaia

Espaços esportivos estão de cara nova para ampliar conforto...

Rebeca Andrade volta com ouro no Pan de ginástica artística

Campeã olímpica vence a prova do salto O retorno de...

Detalhes de um racha entre a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e o Exército brasileiro, durante o período de manifestações golpistas em frente ao Quartel-General, entre 2022 e 2023, foram expostos pelo coronel Jorge Eduardo Naime em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF). O policial participou, nesta terça-feira (21/5), da audiência do processo em que é acusado de omissão no 8 de Janeiro. Porém, foi categórico ao afirmar que a tentativa de golpe não aconteceria se o acampamento fosse desmobilizado, o que não aconteceu, segundo ele, porque o Exército não queria a prisão dos que estavam ali. “Tinham vários familiares [dos oficiais do Exército].”

Naime deu um depoimento de mais de quatro horas, de forma virtual. Ele foi questionado, por exemplo, sobre ter enviado uma mensagem dizendo “deixa os melancias se virar [sic]”, em resposta a uma informação sobre movimentação de manifestantes no QG. O termo “melancias” estava sendo usado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) como crítica às Forças Armadas, fazendo alusão à casca verde, cor da farda, com parte interna vermelha, pois eles seriam “de esquerda” por dentro.

O coronel garantiu ao STF que a mensagem não tinha conotação política. “Nem sabia que melancia queria dizer verde por fora e vermelho por dentro”, alegou. Naime, porém, não poupou críticas à forma como o Exército afastou a PM do local e permitiu até crimes de menor potencial ofensivo no acampamento.

“A PMDF não era bem-vinda pelo Exército no policiamento do dia a dia, e era constrangedor para a gente, ficar ali fardado vendo infrações de trânsito, vendo a ordem pública ser afetada. A gente era impedido pelo Exército de fazer qualquer coisa. Ficava parecendo que éramos coniventes. Se no primeiro dia do acampamento tivessem tomado as providências, se a expertise da PM tivesse sido respeitada, não teríamos tido dia 12 de dezembro nem dia 8 de janeiro”, cravou, lembrando ainda da data em que bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal e queimaram ônibus e carros por Brasília.


0

Segundo Naime, “a PM foi impedida o tempo todo” de atuar no QG. “Eu não entendia a resistência do Exército, mas fui entendendo. Não queriam a gente ali porque tinham vários oficiais da reserva, vários familiares ali. Não queriam deixar de ter controle e ver gente presa. Isso me deixa completamente irresignado.”

O coronel também relatou ter manifestado essa indignação em ofícios, reuniões com o Exército, com o Ministério Público Federal (MPF) e com a Secretaria de Segurança Pública do DF. “Mas não foi tomada nenhuma providência.”

Naime ressaltou por diversas vezes, ainda, que estava de licença na data, uma licença foi publicada e autorizada, e que não participou de planejamento nenhum em relação do 8 de Janeiro.

Advogado de defesa de Naime, Bruno Jordano emitiu nota reafirmando a “confiança na Justiça e nas Instituições”. “A instrução foi esclarecedora e trouxe entendimento sobre os fatos. Esperamos agora que a Justiça seja reestabelecida e que o processo se encerre com a decisão de absolvição.”

O coronel

Naime chegou a ficar 461 dias preso, tendo solicitações de liberdade provisória negadas pelo ministro, mas recebeu autorização para voltar para casa em 13 maio deste ano. O coronel teve prisão preventiva decretada em 1º de fevereiro de 2023, efetivada seis dias depois e, posteriormente, reavaliada e mantida por meio de 10 decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal.

O policial militar é réu no processo que investiga possíveis omissões de membros da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) frente aos atos antidemocráticos.


0

Ex-comandante de Operações da PMDF, Jorge Eduardo Naime foi preso no âmbito da quinta fase da Operação Lesa Pátria. Ele atuava como chefe do departamento desde abril de 2021, e tem formação em direito, com bacharelado em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar de Brasília.

Naime já atuou na área de contratos administrativos, licitações e convênios federais, dentro e fora da PM. Então comandante de Operações da PMDF no dia 8 de janeiro de 2023, Naime pediu folga e foi dispensado na véspera das invasões dos Três Poderes. Após os atos, a Corregedoria da Polícia Militar chegou a iniciar uma apuração para investigar se ele retardou a tropa intencionalmente para permitir a fuga de manifestantes. O coronel foi exonerado do cargo que ocupava dias após os atos golpistas, mas negou as acusações.

 

- Publicidade - spot_imgspot_img
- Publicidade - spot_imgspot_img
- Publicidade - spot_img
- Publicidade - spot_img

Últimas notícias

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here